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domingo, 22 de agosto de 2010

E assim é o cearense. Sempre bem humorado...

Até a boemia do cearense é bem diferente. A diferença entre a mesa do bar com cearenses e outras são visíveis nas expressões. Numa mesa de bar do cearense tem sempre o espiritualista, o piadista, o falador da vida alheia, o corno e em geral a descontração a alegria. Quando não estão rindo é porque estão com a atenção voltada para a próxima piada ou causo. Conta-se que a boemia nos bares da Praça do Ferreira vaiava o sol, quando este nascia, para ver se ele envergonhado ia embora e prolongava a noite...E assim é o cearense. Sempre bem humorado (até o Seu Lunga com seu mau humor), alegre (até o torcedor do Ferrim quando o time perde) e hospitaleiro (até o pessoal da Pensão Tio Patinhas quando está cheia). Em qualquer situação o cearense tem prazer em receber, em alegrar e principalmente em estar de bem com a vida sempre.

O cearense só acha graça naquilo que realmente tem graça!

O humor está nas veias do cearense. E já faz tempo que o Ceará mostra isso exportando seus talentos para o sul e sudeste. Iniciando por Chico Anysio seguidos tempos depois pelo Renato Aragão que criou o grupo dos Trapalhões. Hoje se perdeu a conta vendo na televisão a irreverência e as paródias da Rossicléa, da dupla-personalidade do Adamastor Pitaco ou do (brega-chique) do Falcão. O cearense só acha graça naquilo que realmente tem graça e por isso ele é exigente. Esses filmes de comédia americanos aqui no Ceará passam em branco por melhor que seja. Até que pode se aproveitar alguma coisa, porém na maioria das vezes o cearense ri mesmo é dos americanos tentando fazer graça.Quando visitar Fortaleza não deixe de conhecer os restaurantes e casas de shows onde muitos dos artistas da terra se apresentam diariamente. E de lá, dê uma esticadinha e conheça Itaitinga. Seu humor vai melhorar. Vindo ao Ceará, compre logo um bom dicionário de Cearês.

Chore não, eu tou costumado é atravessar o Choró!

O segredo do negócio é saber como, e querer fazer. Não poderíamos entrar no mérito da questão humorística sem fornecer dados importantes sobre o Estado e a cultura de seu povo. Causos fazem parte da história dos cearenses, esse aqui é um fato que merece destaque: “Um naviozinho, subia o rio Amazonas, ora, o rio é o maior do mundo, tem lugares em que é tão largo que parece mar: não se vêem as margens, bem diferente, portanto, dos rios daqui, muitos dos quais não são perenos, secam e no enchem na quadra invernosa de março a junho”. Pois iam os cearenses nesse naviozinho, subindo o gigantesco e caudaloso rio Amazonas, quando um deles se distraiu e. Tchibun!
Caiu da beirada da pequena embarcação. Seus companheiros assustados e vendo o companheiro em apuros perdido no meio daquela imensidão de água, o contador da história era cunhado do que caiu, chorava feito uma criança com fome. Foi quando o cearense lá, lutando para nadar de volta, ainda tinha fôlego para consolar o amigo: “Sê besta - cumpade. Chore não, eu tou costumado é atravessar o Choró!